domingo, 4 de dezembro de 2011

O cara é “O Cara”

Por Márcia Miller G. de Pinho
Ele é “O Cara”.
A quem restasse alguma desconfiança – seja quanto ao talento ou caráter – de Francisco Buarque de Holanda, o artista brasileiro, coube a convicção de estar diante de um poeta pleno, músico maduro, homem íntegro e coerente: “O Cara”.
Quem, como eu, teve o privilégio de assistir ao Chico em sua turnê por Porto Alegre, na última semana, pôde constatar (se, ao contrário de mim, ainda não o soubesse) que o mito nada deixa a desejar ao artista in loco. Até porque, se houve algum esforço explícito do homem no palco, foi justamente o de impor humanidade ao mito. Nenhuma intenção performática, nenhum jogo de corpo (o que deve reservar ao seu outro “talento” – o futebol), apenas o homem simples que reverencia o público com a excelência de sua arte e com a reação tímida diante da ovação, como que confessando: “Não sou tudo isso. Apenas faço o que gosto, sou um homem comum...”.
Contrariando sua própria crença, Chico Buarque é dos raros. Artista de sensibilidade ímpar, não dispensa a técnica musical, com acordes precisos e melodias elaboradas, nem tampouco o rigor linguístico, em composições que honram os grandes mestres da literatura nacional. Admirador confesso de Guimaraes Rosa e Rubem Braga, maneja a língua portuguesa com o rigor de quem, inequivocamente, figura entre seus principais expoentes.
Porém, esses atributos já são conhecidos e, arriscaria dizer, universalmente consagrados (quem ousaria contestá-los?). O que merece destaque – embora não surpreenda – após a experiência de vê-lo no palco, em atuação, é a inabalável coerência. Afinal, o que esperar de um artista que pautou sua vida pela articulação entre sentimentos, ideias e ideais? Certamente não seria cabível ver em cena um sedutor explícito,  utilizando-se da sua (também) incontestável mística e de seus arrebatadores olhos verdes para cativar o público, especialmente o feminino. Impensável. Dispensável...
No entanto, aviso ao artista que seu intento de sobrepor a arte ao artista não foi bem sucedido. O homem se impôs. Não em trejeitos ensaiados para encantar a plateia e arrancar suspiros, mas no silêncio profundo e de absoluta reverência que se instaurou em momentos memoráveis, como o da interpretação de Todo Sentimento:
[...] onde não diremos nada,
nada aconteceu.
Apenas seguirei como encantado,
ao lado teu.

Definitivamente, ele é “O Cara”.

sábado, 19 de novembro de 2011

Darcy Ribeiro - Roda Viva - 1 ª Parte

O jornalista Fernando Morais, quando esteve em Pelotas, disse que estava pensando em fazer a biografia do saudoso Darcy Ribeiro. Aqui inicia a sequência de sua participação no Programa Roda Viva.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Adorável Professor!

Profundamente triste pela passagem para o andar de cima do grande professor José Luiz Allgayer Mendonça. O que sei de teatro e cinema aprendi com ele no curso de jornalismo. Exemplo de caráter. Pai da minhã irmã Eleonora. Acho que a última vez que nos encontramos foi no Dia dos Pais, no Café Aquário, onde havia ido para tomar um cafezinho em homenagem ao meu pai, ao lado do meu filho Gabriel. Lá, encontrei a querida família Mendonça. Ele estava orgulhoso com sua neta. Sentirei saudades de nossas conversas sobre cinema professor!

domingo, 6 de novembro de 2011

Jô Soares entrevista Fernando Morais 29/08/2011

Ontem assisti ao grande Fernando Morais numa promoção da Bibliotheca Pública Pelotense e do IMA. Aqui no Jô ele fala sobre seu novo livro. Taí um grande brasileiro!

sábado, 5 de novembro de 2011

Fotos e momentos eternizados

Colaboração de Rochelle Moraes

Bob Marlei no Brasil


Sadam russein sendo enforcado :

Lampião e seu bando :

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Onde era o Cristo Redentor :

antes era esse butequinho

Brasilia antes :

Papa e Hitler juntos

Elvis Presley no exército

Beatles no comecinho da carreira

Massacre do Carandiru

Família Bim Ladem

Verdadeiro Titanic no fundo do mar :


segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Bióloga USP - Repórter ECO 16/10/2011



Mais uma matéria da amiga jornalista Cláudia Tavares
Via facebook : "Berta de Moretes é uma mulher admirável de 94 anos. Formada em História Natural, continua dando aulas na USP. Tem muito a nos ensinar, em vários sentidos. Adorei entrevistá-la. A matéria é do Repórter Eco, com edição da Mylene Parisi."

BAR LIBERDADE: TERRITÓRIO DO CHORINHO E SAMBA DE RAIZ

Foto: HFJ / DM

Sambista Jarbas Lazzari Destaca a urbana popular, Cultura

Por Carlos Cogoy *
Fronteira. Eis o viés antropológico, Conforme o sambista e comunicador Jarbas Lazzari, Opaco POSSIBILITA UMA compreensão sobre o bar e restaurante Liberdade - Rua Marechal Deodoro 753, EM Pelotas. Para Lazzari, o Território Congregação Tanto Universitários e classe Mídia, moradores da periferia Quanto. Frequentador Fazer bar, de 1997 à Época SITUADO à Rua General Neto, RecordA Que se tornou assíduo era AO POIs local o Único Que oferecia chorinho na Cidade. Pesquisador do Samba de Raiz, Jarbas Diz Que a Influência começou na Família. E que menciona, Criança, JA acompanhava Como rodas de Música com Parentes e Vizinhos. Suá Admiração POR Avendano e Regional, tornou-se amizade especial.

MÚSICA - Lazzari Diz Que atualmente JÁ Localidade: Não frequenta com tanta periodicidade. Porem, o das Noites lembra Opaco "desafiava" Avendano. QUANDO o músico tocava "Brasileirinho" Sem Cavaco, o sambista tratava de acompanhar o ritmo. Enquetes Gingado e Passos, faziam de Lazzari Mais UMA Atração Não "Liberdade". A Parceria se consolidou n'uma Música. E Jarbas orgulha-se AO FALAR da Música Feita POR Avendano. O instrumentista Compos "Sambista Jarbas Lazzari".
foto: Carlos Cogoy
Liberdade E Tema de Documentário

CULT - Uma nova Fase Fazer "Liberdade", provavelmente los decorrência da Expansão da UFPel, com Novos Cursos e Estudantes provenientes de Diferentes regiões Fazer País, JA PODE Ser considerada Como "cult". Para Lazzari, principalmente Como Sextas, o bar Atrai UMA Nova Geração. A Renovação E de suma importancia. No entanto, muitas Elemento Observação Que da Vezes, Os frequentadores o Estação interessados ​​Mais los Falar Fazer que Ouvir e apreciar UMA boa Música.

CULTURA URBANA popular. Para Jarbas, o filme "O Liberdade" Valoriza a Qualidade de Artistas Como Avendano e Regional. Mas, Analisa Que o "Território Liberdade" dificilmente Sera, Será, será reconhecido e enaltecido Pela elite burguesa branca e Capitalista da Cidade.

Rádio - Aos domingos das 15h Como 16h30min, Lazzari Produz e apresenta o Programa "Samba e Liberdade", veiculado Pela Rádio COM 104.5. Em 2012, o Programa completará dez Anos.


FILME "O Liberdade" da Moviola, Temperatura Direção de Cintia Langie e Rafael Andreazza. O Liberdade FOI Financiado Pelo Fundo Municipal de Cultura de Pelotas (ProCultura) e Conta com Apoio cultural de A Vapor Estúdio, Abastecedora Ikoporã, Ksa Imobiliária, Modern Inglês Rio Grande, Cervejaria Devassa, Frigorífico Castro, Produtora In Cena e Theatro Guarany. Na estreia houve arrecadação de Alimentos Parágrafo OS Projetos Assistenciais da Irmã Assunta.


REGIONAL PREPARA CD DE CHORINHO


Avendano Jr cavaquinho Localidade: Não

O material de de ESTA Gravado ea Perspectiva E de CD, apresentando composições Opaco Pelotense Avendano Jr (71 anos). Mestre Localidade: Não cavaquinho, Ha 37 Anos Elemento toca nenhum bar e restaurante Liberdade. Pacato, educado, Avendano JÁ Seria Destaque Pela Simplicidade. A tranquila E Fala, OS Gestos pausados ​​EO Sorriso fraterno. Se Cativa UMA doçura, o talento Como instrumentista repercute no país. NAS exímio Cordas, ESTA AO Ligado chorinho de OS Anos Sessenta. Hum. DOS protagonistas Fazer Documentário "O Liberdade" da Moviola Filmes, Elemento Temperatura inúmeras Histórias Parágrafo CONTAR. DESDE o Aprendizado, período com SEIS Horas de Ensaios Diários, COMEU UMA amizade com o genial Waldir Azevedo (1923/1980).

Descoberta - Profissionalmente, trabalhou com Atividades Administrativas. A Música, porem, ESTA Presente de uma infância. Na Família, lembra Avendano, Uma Mãe EO Irmão tocavam Instrumentos. Com UMA Descoberta Fazer chorinho, tratou de aprimorar a Técnica. Ele tinha Dúvidas los Relação AO cavaquinho. Atraves de Cartas começou o Contato com Waldir Azevedo. A amizade prosperou e, AO jornal Última Sessenta da Década, hospedou-se Durante UMA Semana na casa de Waldir Azevedo em Brasília. Em 1973, Waldir Azevedo gravou "assim traduzi você" de Avendano. O reconhecimento à Parceria também quando ocorreu, apos Três Anos Fazer falecimento de Azevedo, Avendano FOI UM dos Convidados Parágrafo Tocar na Homenagem realizada nenhuma Teatro Nacional.

AMIGOS - Na Trajetória de Avendano EO Regionais, gravação Fazer vinil "Falta você". FAIXAS Doze Com, o disco E Fazer Comeco dos Anos oitenta. Na Memória, Amigos Como Aloim e Toinha. Nas Sextas e Sábados à Noite, Tocando SEM Liberdade, alegria COM OS Novos amigos. Segundo Elemento, Ha UMA Nova Geração Admirando o chorinho. Tambem Frequentes São Como Visitas de Músicos de Diferentes Localidades Fazer País. Entre Os Amigos Ilustres, o violonista gaúcho Yamandu Costa.

* Carlos Cogoy E Jornalista, editor de "Cultura" do Jornal Diário da Manhã. Professor de Filosofia - Pelotas / RS.
E-mail: carloscogoy@uol.com.br

Texto publicado originalmente no Jornal Diário da Manhã de Pelotas e nenhum local http://www.3milenio.inf.br/114/_arte114b.htm

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Excelente reflexão de Marcelo Rubens Paiva

Link original do blog http://blogs.estadao.com.br/marcelo-rubens-paiva/


04.outubro.2011 15:02:33

O que aconteceu com RAFINHA BASTOS?

O que aconteceu com RAFINHA BASTOS?
Conheci o cara, meu vizinho, em palcos de stand-up, quando o gênero engatinhava.
Ele dividia bem as tarefas de entreter com DANILO GENTILI, MARCELO MANSFIELD, OSCAR FILHO e outros.
A produção do CQC fez um golaço quando o contratou para a bancada.
Regida pelo meu amigo e experiente MARCELO TAS.
Então, você conhece a cronologia dos eventos.
Estouro no TWITTER, reconhecimento do NYT, DVD entre os mais vendidos, teatros lotados.
Sucesso, ao ponto de ter o próprio teatro, numa Rua Augusta em alta.
E a mão começou a pesar na redação dos seus textos e dos 140 caracteres.
Piadas ofensivas, de mau gosto, rejeitadas amplamente.
O que causou um debate sobre os limites do humor.
Que se lembre, CHAPLIN nunca teve uma piada rejeitada.
Nem IRMÃOS MARX.
Nem 3 PATETAS.
Nem WOODY ALLEN.
Nem MONTY PYTHON.
Nem MILLOR, BARÃO DE ITARARÉ, JUO BANANERE.
Nem GLAUCO, ANGELI, LAERTE, ADÃO.
Nem CHICO ANYSIO.
Nem CASSETA & PLANETA.
Quem faz humor tem noção da fronteira.
RAFINHA perdeu.
Soberba?
Falta de background cultural ou político?
A desculpa da LIBERDADE DE EXPRESSÃO era uma afronta à História.
E o desdém contra o politicamente correto a munição que faltava.
Afastá-lo foi uma saída corajosa da BAND.
Sua conduta manchava o brilho do programa.
Na passeata PELA LIBERDADE, num domingo na Avenida Paulista, ouvi gritarem: “CQC, vai tomar no…” O que me surpreendeu, já que eu imaginava que o programa, com sua ironia política, seu combate à corrupção e descaso público, servisse de exemplo às novas gerações, especialmente aos militantes de causas diversas.
RAFINHA é vítima de uma era em que o meio é da mensagem.
Em que se tuitam as maiores bobagens, sem a censura de uma equipe ou de um editor.
Sem a ajuda de uma hierarquia jornalística, escola com que a maioria dos escritores aprendeu.
Na imprensa escrita, suas derrapadas jamais seriam publicadas.
Como na internet, redes sociais, blogs, somos nossos próprios patrões, cria-se o autor sem editor e controle, sem ética ou manuais de conduta empresarial.
Seu superego é seu dono.
A liberdade da rede pode se tornar danosa aos autores, que não trocam ideias em reuniões de pauta ou redações.
Para ele, a bancada de um programa aio vivo da TV aberta era seu twitter.
E pouco importava a voz da razão e o gosto da audiência.
Na matemática narcisista, quanto mais polêmica, mais seguidores.
Perdeu.
MÔNICA IOZZI foi uma ótima substituta, com sua risada maluca, sua cara distraída, seus olhos esbugalhados.
Além de possibilitar um contra peso às piadas machistas, criar jogo na guerra dos sexos, possibilitar a ironia feminina, abrir campo para o direito de resposta às provocações e cantadas dos colegas.
RAFINHA terá umas férias forçadas para repensar a vida.
E a discussão sobre os limites do humor amadurece.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

sábado, 17 de setembro de 2011

Marcelo Adnet - Fala sonhando que eu te escuto

O navio fantasma - II, Um piá de sorte


A postagem abaixo é do excelente blog do jornalista Luis Carlos Vaz http://velhaguardacarloskluwe.blogspot.com/ 

Vale a pena dar uma chegada lá e se deliciar com essa e outras histórias


Não é todo dia que

 a família pode ir à praia e...

encontrar um navio encalhado.
.
Na postagem do dia 25 de maio de 2010, O navio Fantasma - A proeza do Djalma, narramos a história de um bageense que participou do resgate dos tripulantes do navio Altair, que encalhou na praia do Cassino, em Rio Grande. Contamos com o precioso auxílio do Miguel Sanchis, que nos relatou outros naufrágios e nos cedeu fotografias do seu site. Hoje publicamos um segundo relato, este do próprio Miguel, sobre o naufrágio de um outro navio que ele, ainda guri, teve a oportunidade rara de conferir alguns dias depois do acontecido. Como ele mesmo disse, coisa de um piá de sorte..
Antes da instalação de uma rede de faróis entre Torres e o Chuí, bem como o surgimento da navegação por GPS, o litoral gaúcho foi palco de incontáveis naufrágios. O vento “nordestão” e o “carpinteiro” agravavam a situação, fazendo da nossa costa uma verdadeira armadilha para a navegação. Estas características valeram ao nosso litoral, considerado um dos mais perigosos do mundo, o apelido de “cemitério de navios”. Umas das vítimas foi o navio “Mount Athos”, de 164 metros de comprimento. No dia 11.03.1967 o cargueiro grego, que transportava adubo para Rio Grande, foi acossado pelo vento e por fortes ondas.

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

PLAYGROUND|LIVROS “O Solar da Fossa”

Por Fernanda Miller*


Dia desses, descobri um livro, no mínimo, interessante. Nas primeiras referências que tive desse lugar – em minhas já folclóricas leituras sobre a “história da música popular brasileira” – lembro de comentar com meu marido: “ah, mas eu tinha que ter morado nesse lugar...”. O lugar, um casarão colonial, dividido em apartamentos, fim da década de 60, onde se revezavam ilustres moradores: Caetano, Gal, Paulo Coelho, Tim Maia, Paulinho da Viola, Zé Kéti, Guarabyra e vários outros artistas, escritores e poetas que vieram a construir o imaginário da minha geração. 
Gal Costa no "Solar"
      Eis que leio agora, “O Solar da Fossa”, de Toninho Vaz (Ed.Casa da Palavra/2011), para registro, merecido, das histórias e lendas do lugar. Como disse Ruy Castro: “Eles eram jovens, bonitos, boêmios, cultos, independentes, românticos, ambiciosos, criativos e duros.” Eram... E, afinal: “O que você faria se tivesse 20 anos em 1968?” Fica a dica, pra quem curte, e um abraço aos leitores do “Dia desses...”
*Fernanda Miller é Defensora Pública, apaixonada por histórias da MPB, música, cinema e cultura.




domingo, 4 de setembro de 2011

DOSSIÊ GLOBONEWS; SEGREDOS DE ESTADO


geneton moraes neto

@genetonmneto Rio de Janeiro

Desde ontem, sábado, a Globonews leva ao ar, diariamente, sempre às 20:05 ( com reprise à meia-noite e meia), o DOSSIÊ GLOBONEWS; SEGREDOS DE ESTADO – uma série de oito entrevistas inéditas com personagens pouco conhecidos do público. Durante três semanas, o locutor-que-vos-fala percorreu os EUA, em companhia do cinegrafista Eduardo Torres, no encalço de espiões, ex-agentes da CIA, pilotos militares, diplomatas.  Haverá reprises extras, às 8:30 e às 16:30.     
O primeiro personagem a entrar em cena na série DOSSIÊ GLOBONEWS : SEGREDOS ESTADO é um soldado americano que viveu um drama inesperado na Guerra do Iraque : ao se aproximar de um carro atingido por um bombardeio, ele descobriu que havia duas crianças dentro do carro. O que fazer ?
Se fosse cumprir rigorosamente os códigos militares, o soldado não teria socorrido as crianças. Afinal, não é papel de um soldado socorrer feridos do “lado inimigo” – ainda que sejam crianças,  atingidas “por acaso”. Mas o sentimento de solidariedade fez com que o soldado tentasse salvar as duas crianças que, por um grande azar, tinham ido parar no meio de um bombardeio. As duas estavam a bordo de uma van dirigida pelo pai.
Depois de socorrer as crianças, o soldado passou a ter pesadelos. Pior: chegou a ser admoestado por seus superiores. Virou motivo de piada entre os colegas. Logo depois, teve de voltar aos EUA, por ter sido ferido numa explosão. De volta para casa, tentou se matar porque não conseguia conviver com o chamado “stress pós-traumático”. A lembrança das crianças feridas o atormentava. Terminou se engajando numa campanha contra a Guerra do Iraque. Nome do soldado que virou pacifista: Ethan McCord.
A história terminaria aí : um veterano de guerra convivendo, em casa,  com seus fantasmas. Mas o caso teve uma reviravolta espetacular. Toda a operação militar – que resultou no bombardeio da van que conduzia as crianças – tinha sido gravada pelo Exército americano. Ao ver as imagens, um outro soldado resolveu passar o vídeo, secretamente, para o Wikileaks ( a organização que se especializou em divulgar documentos secretos de governos ) . Tornadas públicas, as imagens provocaram choque, indignação, pavor. São – de fato –  impressionantes. Ninguém fica indiferente a elas. 
 Um novo drama começou: o autor do vazamento foi imediatamente identificado pelo Exército. Era um soldado de vinte anos chamado Bradley Manning. Preso, ele foi imediatamente retirado do Iraque, levado ao Kwait e, afinal, “recambiado” para os Estados Unidos, onde chegou a ser submetido a um regime de isolamento numa prisão militar.  Agora, aguarda julgamento.
É provável que o autor do vazamento vá passar os próximos anos atrás da grades, por ter desobedecido a uma série de códigos militares. Afinal, divulgou imagens e documentos confidenciais das Forças Armadas. Em um e-mail, o soldado dizia que iria vazar o vídeo do bombardeio porque queria provocar um debate planetário sobre abusos cometidos na Guerra do Iraque. Ou seja: a intenção era a melhor possível. O problema é que, no mundo real, boas intenções podem ser passíveis de punição severa.
Um abaixo-assinado mundial foi lançado em defesa de Bradley Manning ( aqui: www.bradleymanning.org ). Qualquer pessoa de qualquer lugar do mundo pode assinar,pela Internet. A petição vai ser encaminhada ao Pentágono. Internautas postam, no site, fotos em que exibem para a câmera pequenos cartazes com os dizeres: “Eu sou Bradley Manning”.
A verdade é que a campanha não vem tendo a repercussão merecida. Não me lembro de ter visto, na nossa imprensa, nenhuma grande matéria sobre o tema. A pouca repercussão da campanha em solidariedade ao soldado que queria denunciar um absurdo cometido na Guerra do Iraque é um sintoma destes tempos despolitizados e medíocres em que vivemos. A dissidência virou uma flor rara. Ah, a Grande Conspiração da Mediocridade….Ah, a Grande Marcha dos Indiferentes….
Houve, no final dos anos sessenta, um caso parecido com o do soldado que virou dissidente. Um analista do Pentágono chamado Daniel Ellsberg vazou para a imprensa documentos secretos sobre o envolvimento dos EUA na Guerra do Vietnam. Provocou um grande debate planetário sobre o tema, mas foi preso e levado aos tribunais. Houve uma grande mobilização em favor de Ellsberg. E agora ? 
Um detalhe: aos oitenta anos de idade, Daniel Ellsberg se engajou totalmente na campanha em solidariedade a Bradley Manning. Primeiro, assinou a petição no site. Posou para uma foto em que exibe um cartaz : “Eu era Bradley Manning” . Depois, participou de uma manifestação pública em defesa de Bradley Manning, em Washington, nas proximidades da Casa Branca. Terminou detido pela polícia. O octogenário Daniel Ellsberg parece não ter perdido aquela “chama de solidariedade” que, hoje, lastimavelmente, já não é capaz de incendiar corações e mentes :
Quando as tropas soviéticas marcharam sobre a Tchecoslováquia, em 1968, para pingar um ponto final na Primavera de Praga – uma tentativa de criação de um “socialismo  com face humana” -, um estudante, ingênuo, escreveu num muro: “Acorda, Lênin ! Eles enlouqueceram”. 
Diante da Grande Marcha dos Indiferentes, a hora é de dizer :  “Acorda, Daniel Ellsberg ! Eles enlouqueceram”

sábado, 3 de setembro de 2011

Repórter não é Polícia; Imprensa não é Justiça

Texto do Balaio do Kotscho
Por Ricardo Kotscho


" Escrevo para defender a minha profissão, tão aviltada ultimamente pela falta de ética de veículos e profissionais dedicados ao vale-tudo de verdadeiras gincanas para destruir reputações e enfraquecer as instituições democráticas."


Ao voltar de Barretos (ver post anterior), o meu correio eletrônico já estava entupido de mensagens de amigos e leitores comentando e me pedindo para comentar a reportagem da revista "Veja" sobre as "atividades clandestinas" do ex-ministro José Dirceu, um dos denunciados no processo do "mensalão", que tramita no Supremo Tribunal Federal e ainda não tem data para ser julgado.  Só agora, no começo da tarde de segunda-feira, consegui ler a matéria. Em resumo, como está escrito na capa, sob o título "O Poderoso Chefão", ao lado de uma foto em que Dirceu aparece de óculos escuros e sorridente, a revista faz uma grave acusação:  "O ex-ministro José Dirceu mantém um "gabinete" num hotel de Brasília, onde despacha com graúdos da República e conspira contra o governo da presidente Dilma".  Para justificar a capa, a revista publica dez reproduções de um vídeo em que, além de Dirceu, aparecem ministros, parlamentares e um presidente de estatal entrando ou saindo do "bunker instalado na área vip de um hotel cinco-estrelas de Brasília, num andar onde o acesso é restrito a hóspedes e pessoas autorizadas".
Nas oito páginas da "reportagem"  _ na verdade, um editorial da primeira à última linha, com mais adjetivos do que substantivos _ não há uma única informação de terceiros que não seja guardada pelo anonimato do "off" ou declaração dos "acusados" de visitar o bunker de Dirceu confirmando a tese da "Veja".  Fiel a uma prática cada vez mais disseminada na grande mídia imprensa, a tese da conspiração de Dirceu contra o Governo Dilma vem antes da apuração, que é feita geralmente para confirmar a manchete, ainda que os fatos narrados não a comprovem.

"Amar e mudar as coisas me interessam mais"

sábado, 13 de agosto de 2011

DIDI (RENATO ARAGÃO) recebe carta-desabafo de ELIANE SINHASIQUE


Há alguns meses você vem me escrevendo pedindo uma doação mensal para enfrentar alguns problemas que comprometem o presente e o futuro de muitas crianças brasileiras. Eu não respondi aos seus apelos (apesar de ter gostado do lápis e das etiquetas com meu nome para colar nas correspondências).

Eliane Sinhasique
Eliane Sinhasique
Achei que as cartas não deveriam sem endereçadas à mim. Agora, novamente, você me escreve preocupado por eu não ter atendido as suas solicitações. Diante de sua insistência, me senti na obrigação de parar tudo e te escrever uma resposta.
Não foi por “algum” motivo que não fiz a doação em dinheiro solicitada por você. São vários os motivos que me levam a não participar de sua campanha altruísta (se eu quisesse poderia escrever umas dez páginas sobre esses motivos). Você diz, em sua última carta, que enquanto eu a estivesse lendo, uma criança estaria perdendo a chance de se desenvolver e aprender pela falta de investimentos em sua formação.

sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Mais política, menos futebol e novela

 Caxias do Sul, RS, aumentou para 23 o número de vereadores para as próximas eleições.O pessoal está de cabelos em pé pois "corremos o risco" em Pelotas de elegermos mais vereadores e com isso aumentarmos o gasto público. Em tese, não seria melhor termos mais pessoas trabalhando pela comunidade ? Utopia: menos novela e mais política. Adoro futebol, mas vcs não acham que tem debate esportivo demais ? Quando chegará o dia em que teremos uma roda de debate político aos domingos, em que os participantes comentarão os principais lances da semana? Se é que me entendem.

As pessoas podem se encontrar numa mesa de bar ou num blog

Em tempo: o conteúdo postado aqui não expressa necessariamente o pensamento do editor. Aqui não se ganha jabá  ou qualquer outro tipo de favorecimento. É um espaço para a livre expressão.  Mandem seus textos que, na medida do possível, iremos publicá-los. Só não abrimos espaço para o anonimato, ofensas pessoais e outras "barbaridades" comuns em outros blogs. Quem quiser arriscar, que volte sempre. Um dia desses, quem sabe?
Abraço
Paulo Otávio Pinho
Editor

terça-feira, 9 de agosto de 2011

Professor questiona acesso ao “sistema” de financiamento público de algumas pesquisas

Pesquisador Althen Teixeira
Artigo: Althen Teixeira Filho*
No sentido de contrapor o ideário de um colega da UFPel, enviei artigo para a Folha de São Paulo, mas o jornal não o publicou por "acúmulo de artigos recebidos". Então, contesto neste espaço a visão "meritocrática" exposta pelo docente.

Num debate sobre a Universidade não cabem desqualificações e anátemas, por ser local onde o controverso desenvolvido, educada e intelectualmente, é desejado e positivo. Coexistimos num “tripé ensino/pesquisa/extensão” e sobrepor uma atividade às demais – e a sua própria ação e necessidade – significa desestabilizar o conjunto.

domingo, 7 de agosto de 2011

Velha Infância AO VIVO (Marisa Monte)

Novela e TV: os nossos lixos de cada dia

Tenho visto tantas campanhas nas redes socias criticando a Rede Globo e suas novelas. Não seria melhor fazer uma campanha para que todos deixem de ver novelas e outros lixos, sobretudo na frente de crianças sem filtro? Que tal uma campanha pela edificação da personalidade ética dos futuros adultos? 
Resumindo: paremos de dar audiência para esse lixo que se transformou a TV brasileira. Será que ninguém se dá conta que as emissoras querem é exatamente criar polêmica e prender a nossa atenção? Uma polêmica a cada dois dias. Bolsonaro, um ilustre desconhecido dias atrás, não vai fazer menos de 400 mil votos graças a você que postou em suas redes algum comentário sobre o espertalhão. Parece óbvio o que escrevi. Todo mundo sabe, mas ninguém "larga o osso".

sábado, 6 de agosto de 2011

Lulu Santos - Já é



Já é

Lulu Santos

Composição: Lulu Santos

Sei lá...
Tem dias que a gente olha pra si
E se pergunta se é mesmo isso aí
Que a gente achou que ia ser
Quando a gente crescer
E nossa história de repente ficou
Alguma coisa que alguém inventou
A gente não se reconhece ali
No oposto de um déjà vu

Sei lá...
Tem tanta coisa que a gente não diz
E se pergunta se anda feliz
Com o rumo que a vida tomou
No trabalho e no amor
Se a gente é dono do próprio nariz
Ou o espelho é que se transformou
A gente não se reconhece ali
No oposto de um vis a vis

Por isso eu quero mais
Não dá pra ser depois
Do que ficou pra trás
Na hora que já é!

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Nota 10

Vestibular da Universidade da Bahia cobrou dos candidatos  a interpretação do seguinte trecho do poema de Camões:

“Amor é fogo que arde sem se ver,
é ferida que dói e não se sente,
é um contentamento descontente,
dor que desatina sem doer”.

Uma vestibulanda de 16 anos deu a sua interpretação :
“Ah, Camões!, se vivesses hoje em dia,
tomavas uns antipiréticos,
uns quantos analgésicos
e Prozac para a depressão.
Compravas um computador,
consultavas a Internet
e descobririas que essas dores que sentias,
esses calores que te abrasavam,
essas mudanças de humor repentinas,
esses desatinos sem nexo,
não eram feridas de amor,
mas somente falta de sexo”!

A Vestibulanda ganhou nota DEZ:
pela originalidade, pela estruturação dos versos, das rimas insinuantes, e também foi a primeira vez que, ao longo de mais de 500 anos, alguém desconfiou que o problema de Camões era apenas falta de mulher.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

GILBERTO GIL - Amarra o teu arado a uma estrela



Amarra o Teu Arado a uma Estrela

Gilberto Gil

Composição: Gilberto Gil

Se os frutos produzidos pela terra
Ainda não são
Tão doces e polpudos quanto as peras
Da tua ilusão
Amarra o teu arado a uma estrela
E os tempos darão
Safras e safras de sonhos
Quilos e quilos de amor
Noutros planetas risonhos
Outras espécies de dor

Se os campos cultivados neste mundo
São duros demais
E os solos assolados pela guerra
Não produzem a paz
Amarra o teu arado a uma estrela
E aí tu serás
O lavrador louco dos astros
O camponês solto nos céus
E quanto mais longe da terra
Tanto mais longe de Deus

sábado, 30 de julho de 2011

Valeu Vilmar Tavares!

Foto: Paulo Rossi
  Conheci  o fotógrafo Vilmar Tavares numa fase muito bacana. Nessa nova viagem, ele merece ser recepcionado por Raul Seixas. Seu olhar era diferente e original. Por isso seu trabalho sempre foi tão autoral.

http://www.flickr.com/photos/tavaresvilmar/

Ameaças de morte em Mamirauá

CARTA ABERTA EM FAVOR DAS COMUNIDADES TRADICIONAS DA RESERVA DE DESENVOLVIMENTO SUSTETAVEL MAMIRAUÁ:
Ou “um pouco de verdade sobre Mamirauá”
10 de julho de 2011

Prezados (as) Senhores (as)

Mamirauá é uma Reserva de Desenvolvimento Sustentável, área de conservação ambiental, localizada no Rio Solimões, no alto Amazonas
Há 21 anos, desde sua criação como Estação Ecológica, as Associações de Produtores do Setor Maiana e do Setor Solimões do Meio vêm trabalhando na preservação e conservação dos recursos naturais da Reserva de Desenvolvimento Sustentável MAMIRAUÁ. Por termos o compromisso e a responsabilidade com a floresta, conseguimos reduzir o desmatamento de madeira em tora para quase zero, conseguimos recuperar os estoques de peixes, que tem como expoente o conhecido manejo do pirarucu (Arapaima gigas). Somos 16 comunidades, 214 famílias, 1070 pessoas entre jovens, crianças, e adultos.

Belchior - Coração Selvagem

domingo, 24 de julho de 2011

O DESMANTELAMENTO DO IBAMA

É com pesar e muita preocupação que vejo o desmantelamento do IBAMA no Brasil inteiro e, particularmente, na Amazônia.
No Estado do Amazonas o IBAMA está fechando os poucos escritórios regionais que possui, concentrando o órgão em Manaus.
Amigo Enrique Salazar
Numa época onde os órgãos ambientais deveriam estar sendo cada vez mais interiorizados e suas regionais fortalecidas, principalmente em regiões onde a logística é complicada, como no caso do interior do Amazonas, o Governo Federal faz justamente o contrário. A consequência disso é óbvia: degradação ambiental. As portas estão sendo abertas para grilagem de terras, desmatamento, caça, mineração ilegal (principalmente garimpos), pesca ilegal, biopirataria, etc.

quarta-feira, 20 de julho de 2011

A crença de que a felicidade é um direito tem tornado despreparada a geração mais preparada

ELIANE BRUM

Jornalista, escritora e documentarista. Ganhou mais de 40 prêmios nacionais e internacionais de reportagem. É autora de Coluna Prestes – O Avesso da Lenda (Artes e Ofícios), A Vida Que Ninguém Vê (Arquipélago Editorial, Prêmio Jabuti 2007) e O Olho da Rua (Globo).
E-mail: elianebrum@uol.com.br
Twitter: @brumelianebrum

Ao conviver com os bem mais jovens, com aqueles que se tornaram adultos há pouco e com aqueles que estão tateando para virar gente grande, percebo que estamos diante da geração mais preparada – e, ao mesmo tempo, da mais despreparada. Preparada do ponto de vista das habilidades, despreparada porque não sabe lidar com frustrações. Preparada porque é capaz de usar as ferramentas da tecnologia, despreparada porque despreza o esforço. Preparada porque conhece o mundo em viagens protegidas, despreparada porque desconhece a fragilidade da matéria da vida. E por tudo isso sofre, sofre muito, porque foi ensinada a acreditar que nasceu com o patrimônio da felicidade. E não foi ensinada a criar a partir da dor.

sábado, 2 de julho de 2011

Pennsylvania - Isto é que é vida

Muita gente recebeu o e-mail abaixo que circula há muito tempo na internet. Neste invernão do RS,  em que muita gente corre para a serra gaúcha na esperança de ver a neve, posto esta "estória". Acho que aguentaria a neve por um dia, por curiosidade. Depois disso, tô fora. Aliás, ninguém gosta de frio. Todo mundo que me fala que gosta de inverno,  na verdade ama mesmo é o calor de uma lareira, cobertor, manta, chocolatada...
Vale a pena ler este texto de um amante do frio e da neve...

Pennsylvania - Isto é que é vida

Agosto 12

Hoje me mudei para minha nova casa no estado da Pennsylvania. Que paz! Tudo aqui é tão bonito. As montanhas são tão majestosas. Quase que não posso esperar para vê-las cobertas de neve. Que bom haver deixado para trás o calor, a umidade, o tráfego, a violência, as enchentes, a poluição e aqueles brasileiros mal-educados de São Paulo. Isto sim que é vida!

Outubro 14

Pennsylvania é o lugar mais bonito que já vi em minha vida. As folhas passaram por todos os tons de cor entre o vermelho e o laranja. Que bom ter as quatro estações. Saímos a passear pelos bosques e pela primeira vez vi um cervo. São tão ágeis, tão elegantes, é um dos animais mais vistosos que jamais vi. Isto deve ser o paraíso. Espero que neve logo. Isto sim é que é vida!

Novembro 11

Logo começará a temporada de caça aos cervos. Não posso imaginar como alguém pode matar uma dessas criaturas de Deus. Já chegou o inverno. Espero que neve logo. Isto sim é que é vida!

Dezembro 2

Ontem à noite nevou. Despertei e encontrei tudo coberto de uma camada branca. Parece um cartão postal... uma foto. Saí a tirar a neve dos degraus e a passar a pá na entrada. Rolei nela e logo tive uma batalha de bolas de neve com os vizinhos (eu ganhei) e quando a niveladora de neve passou, tive que voltar a passar a pá. Que bonita a neve. Parecem bolas de algodão espalhadas por todos os lados. Que lugar tão bonito! Pennsylvania sim é que é vida!

Dezembro 12

Ontem à noite voltou a nevar. Que encanto. A niveladora voltou a sujar a entrada, mas bom... que vamos fazer, de todas maneiras. Isto sim é que é vida!

Dezembro 19

Ontem à noite nevou outra vez. Não pude limpar a entrada por completo porque antes que acabasse, já havia passado a niveladora, assim hoje não pude ir ao trabalho. Estou um pouco cansado de passar a pá nessa neve. Droga de niveladora! Mas, que vida!

Dezembro 22

Ontem à noite voltou a cair neve... Tenho as mãos cheias de calos por causa da pá. Creio que a niveladora me vigia desde a esquina e espera que eu acabe de tirar a neve com a pá para passar. Vá pra puta que pariu!

Dezembro 25

Feliz Natal branco, mas branco de verdade, porque está cheio de merda branca. Viado! Se pego o filho da puta que dirige esta niveladora, te juro que o mato. Não entendo porque não usam mais sal nas ruas para que se derreta mais rápido este gelo de merda.

Dezembro 27

Ontem à noite ainda caiu mais dessa merda branca. Já são três dias direto que não saio. Nada mais faço senão passar a pá na neve depois que passa a bosta da niveladora. Não posso ir a lugar algum. O carro está enterrado debaixo de uma montanha de merda branca. O noticiário disse que esta noite vai cair umas 10 polegadas a mais de neve. Não posso acreditar!

Dezembro 28

O idiota do noticiário se equivocou outra vez. Não foram 10 polegadas de neve... caíram 34 polegadas mais dessa merda! Vai tomar no cu! Seguindo assim, a neve não se derreterá nem no verão. Agora resulta que a niveladora quebrou perto daqui e o filho da puta do motorista veio me pedir uma pá. Que descarado ! Disse-lhe que já tinha quebrado 6 pás limpando a merda que ele me havia deixado diariamente. Assim, quebrei a pá na cabeça daquele imbecil. Que bosta. Que saco, Que caralho!

Janeiro 4

Ao fim hoje pude sair de casa. Fui buscar comida e um cervo de merda se meteu diante do carro e o atropelei. Caralho! O conserto do carro vai me sair uns três mil dólares. Estes animais de merda deviam ser envenenados. Oxalá os caçadores tivessem acabado com eles o ano passado. A temporada de caça deveria durar o ano inteiro.

Março 15

Escorreguei no gelo que ainda há nesta puta cidade e quebrei uma perna. Ontem à noite sonhei estar sob uma palmeira.

Maio 3

Quando me tiraram o gesso, levei o carro ao mecânico. Ele disse que o assoalho estava todo enferrujado por baixo por culpa do sal de merda que jogaram na ruas. Será que esses cornos não têm outra forma de derreter o gelo?

Maio 10

Mudei-me outra vez para São Paulo. Isto sim que é vida! Que delicia! Calor, umidade, tráfego, violência, enchente, poluição e falta de educação. A verdade é que qualquer um que imagine morar nessa Pennsylvania de merda tão solitária e fria é um retardado... ou viado, ou deve estar louco! Isto sim é que é vida!!! 


Grupo de brasileiros voltando do almoço no Allegheny General Hospital, já q estavam presos (não tinham conseguido tirar o carro da neve) e a casa estava sem energia.....Isto aconteceu em fevereiro de 2010 em Pittsburgh, Pennsylvania....Foram 60 cm de neve (segundo o jornal.), cobrindo os carros e as ruas....

Dia desses