Multi-instrumentista, cantor, compositor, arranjador, intérprete e proprietário da SA Produtora de Áudio, em Porto Alegre, nos manda texto bacana.Jorge Vieira, 45 anos, é integrante do Regional Laranjal (grupo de samba formado por pelotenses que moram na capital) e do Grupo Dois Por Quatro (samba e choro). Pelotense de nascimento, mora em Porto Alegre há 25 anos.
Quando tinha 6 ou 7 anos, eu assistia pela TV ou "in loco" suas apresentações na antiga TV Tuiuti, hoje RBSTV. Cheguei até naquela época a segurar "reclames", como eram chamados os cartazes com propagandas.
Seu talento era tanto, que arrebatava todos os prêmios oferecidos: a maioria das vezes carrinhos de plástico. Cantava quase sempre baladas em inglês, que sua irmã Rosângela, cuidadosamente e pacientemente, o ajudava a decorar. Já naquela época, tirava de letra a presença das câmeras de TV. Sempre acompanhado pelo violão de Solon Silva, só dava Jorginho no programa infantil que não lembro o nome! E pensar que nossa amizade começou com uma briga, no pátio do Colégio Pedro Osório há 39 anos! Grandes lembraças!

Memória afetiva: Regional Laranjal com Jorge, Sady, Cícero, Eduardo e Bachilli

No palco com Jorge Furtado
Um pouco do talento do Grupo de Samba Dois Por Quatro
Texto enviado pelo amigo Jorge:
* BREQUE *
Porto Alegre, 26 de junho de 2009.Neste final de semana o DOIS POR QUATRO está praticamente de folga. Numa destas coincidências, as agendas dos bares, festinhas e eventos se combinaram e nos deram este merecido descanso, num final de semana que promete frio em Porto Alegre, possibilitando aquele DVDzinho em casa, um bom vinho, uma boa companhia e tudo o mais que o frio pode inspirar...
Não o fosse, eu pediria aos meus companheiros de banda, um BREQUE. Sim, um breque... Não pra mostrar meu talento na virada do surdo ou os habilidosos bordões do Mazo, nem mesmo pra trocar de tom ou iniciar uma outra canção. Um breque no samba, uma pequena parada...
Escutaríamos Ben ou I will be there, na voz infantilizada e enigmática do Michael Jackson, ainda pequenino, como vocalista principal dos Jackson Five...
Ou quem sabe assistiríamos Jill desferindo golpes capoeirísticos em bandidos nada comuns, em um dos episódios de "As Panteras", personagem que Farrah interpretava no seriado.
Uma pausa pra entender como é possível acumular tantos hits num mesmo álbum, OFF THE WALL. Outra pra considerar perdida qualquer possibilidade de conquistar a
loira mais linda da TV, pois ela, além de parecer inatingível, era casada com o Homem de Seis Milhões de Dólares, Lee Majors, e passava a se entitular Farrah Fawcett Majors.Um intervalo, no qual pudéssemos nos sentar e rever, e rever, e rever o clip Thriller. E depois da terceira audição, poderíamos então levantar do sofá pra fazer o passinho dos zumbis, numa espécie de agradecimento ao gênio pelo pioneirismo de contar histórias que passariam a parecer filmes de cinco minutos. Ou assistiríamos a mais um espacato aéreo de nossa heroína de cabelos dourados e esvoaçantes.
Um silêncio estonteante em que pararíamos para analisar tecnicamente a batida de baixo e bateria da introdução de Billie Jean, copiada, recopiada, relida e plageada por inúmeros artistas pops, ou rever as fotos da Playboy americana em que pela primeira vez podíamos avaliar o potencial de outros nocautes possíveis da loira.
Um dia inteiro então, de pausas, de intervalos, de silêncios, de breques, meus companheiros, pra que pudéssemos em forma de oração lembrar de dois dos maiores ídolos das décadas de 70 e 80 que partiram no mesmo 25/06, um natal às avessas exatamente seis meses antes...o ano virado de pés pro ar, o mundo virado de pés pro ar...
Um breque, enfim...
Jorge Vieira
www.saprodutora.com.br
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