
Por Márcia Miller Gomes de Pinho
Foi por acaso. Seduzida inicialmente pela profundidade do olhar da atriz (Kristin Scott Thomas), pude me deparar com a profundidade de um dos filmes mais instigantes que já assisti. Há tanto tempo que te amo(2008), é uma produção francesa que aborda, como prenuncia o título, o amor. Eis que, no entanto, nos deparamos com um tratamento inusitado para o tal sentimento. Onde poderíamos esperar uma história clássica de amor romântico entre uma mulher e um homem, encontramos uma narrativa sensível e com nuances dramáticas da história de uma mulher e seus múltiplos amores que circulam em torno do principal da trama: seu amor de mãe.
Em tempos de reality shows, o filme se impõe (com maestria), como contraponto à cultura maniqueísta tipicamente contemporânea. Ao invés de uma heroína inverossímil, temos uma mulher real, complexa, híbrida, intrigante, e por isso mesmo, interessante. Ao invés de um ato de amor, temos um crime – ainda que se possa refletir ao longo da trama quanto à similaridade entre ambos. Ao invés de um amor, temos os amores - plurais, dramáticos, multifacetados em sua gênese e seu desenvolvimento, mutáveis e, sobretudo, reais.
Primoroso no tratamento da(s) linguagem (ns), o filme se vale de intertextualidade e de metáforas para tratar temas filosoficamente complexos, longe, no entanto de ser uma narrativa inacessível. Ao contrário, capta-nos pela simplicidade, pela sutileza das interpretações, pelos diálogos por vezes até didáticos, mas principalmente pelo não-dito mas intuído por cada mulher ou homem que, inevitavelmente, se coloca na pele da protagonista e simplesmente sente.
É bom avisar a quem quiser assistir que não encontrará uma história convencional. Não se trata de uma história para julgar, mas para contemplar. Ainda que permeie discussões éticas, mais que emitir opiniões e veredictos, o filme nos encaminha à introspecção. Não trata da verdade, mas das verdades circunstancialmente inscritas na história de vida de cada um. É, portanto, um filme desestabilizador, para quem aceitar o exercício de ver a vida além do prisma do bem ou do mal.
Vale a pena. Se a alma não for pequena...
Foi por acaso. Seduzida inicialmente pela profundidade do olhar da atriz (Kristin Scott Thomas), pude me deparar com a profundidade de um dos filmes mais instigantes que já assisti. Há tanto tempo que te amo(2008), é uma produção francesa que aborda, como prenuncia o título, o amor. Eis que, no entanto, nos deparamos com um tratamento inusitado para o tal sentimento. Onde poderíamos esperar uma história clássica de amor romântico entre uma mulher e um homem, encontramos uma narrativa sensível e com nuances dramáticas da história de uma mulher e seus múltiplos amores que circulam em torno do principal da trama: seu amor de mãe.
Em tempos de reality shows, o filme se impõe (com maestria), como contraponto à cultura maniqueísta tipicamente contemporânea. Ao invés de uma heroína inverossímil, temos uma mulher real, complexa, híbrida, intrigante, e por isso mesmo, interessante. Ao invés de um ato de amor, temos um crime – ainda que se possa refletir ao longo da trama quanto à similaridade entre ambos. Ao invés de um amor, temos os amores - plurais, dramáticos, multifacetados em sua gênese e seu desenvolvimento, mutáveis e, sobretudo, reais.
Primoroso no tratamento da(s) linguagem (ns), o filme se vale de intertextualidade e de metáforas para tratar temas filosoficamente complexos, longe, no entanto de ser uma narrativa inacessível. Ao contrário, capta-nos pela simplicidade, pela sutileza das interpretações, pelos diálogos por vezes até didáticos, mas principalmente pelo não-dito mas intuído por cada mulher ou homem que, inevitavelmente, se coloca na pele da protagonista e simplesmente sente.
É bom avisar a quem quiser assistir que não encontrará uma história convencional. Não se trata de uma história para julgar, mas para contemplar. Ainda que permeie discussões éticas, mais que emitir opiniões e veredictos, o filme nos encaminha à introspecção. Não trata da verdade, mas das verdades circunstancialmente inscritas na história de vida de cada um. É, portanto, um filme desestabilizador, para quem aceitar o exercício de ver a vida além do prisma do bem ou do mal.
Vale a pena. Se a alma não for pequena...
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